Mostrando postagens com marcador Travessias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Travessias. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de agosto de 2012

Quarto e último dia da Trilha Salkantay -De Santa Teresa para Aguas Calientes

O acampamento em Santa Teresa

Considerando o estradão do dia anterior, conseguimos, sem muito esforço, convencer o Ogro a pagar o bus para nos levar até a Hidrelétrica, (S/10,00 cada um) economizando assim uma pernada de 14 km e pelo menos 2:30 hs, o que no nosso caso seria certamente umas 4:00 hs, porque a partir daqui, seria a carga total, com sleeping bag e isolante. Achamos que valeu muito a pena, pois o sol estava castigando e andar naquele poeirão, não é um programão.
Tomamos o último desayuno, desta vez bem tardio, 7:30 hs com o Roberto, nos despedimos e perto das 9:00 hs tomávamos o bus, com uma parte do pessoal do dia anterior


Nós e o Chef Roberto, uma figura!!!!

Chegamos por volta das 10:15 hs na Hidrelétrica, começamos a caminhar depois de uns 15 minutos nos trilhos do trem. Existia a opção de esperar o trem, que custa US$ 7,00, mas o Osgel nos disse que mesmo que fôssemos devagar, em 3 hs mais ou menos estaríamos em Aguas Calientes, para não ficarmos parados até às 16:00 hs esperando.


Almoçamos por volta das 13:00 hs o lunch box no isopor que o Roberto deixou preparado, arroz colorido, palta, papas e atum, que não conseguimos terminar tudo, de tão grande, na beira do rio, com direito a um rápido mergulho nas águas gélidas pelo Ogro e desta vez deu até para descansar um pouquinho. 

Nos deliciando com a marmitinha
O banho do Ogro











Chegamos ao Pueblo de Aguas Calientes, o Ogro passando mal, alternando a trilha com o matinho, uma caminhada de 11 km, mais ou menos às 15:00 hs.


Ficamos no Hostel Tayta, calle Yahuarjucac, 209, MachuPicchu Pueblo, com o Darcy, conversando conosco em... português. Esta hospedagem já estava incluída no pacote da Machu Picchu Brasil.
Apesar de muito simples, para nós foi como um 5 estrelas.

Aguas Calientes ou Machu Picchu Pueblo
Tomamos o primeiro banho de verdade, depois do início da trilha, descansamos um pouco e saímos para bater perna, sim, é mais forte do que a gente, o chamado das lojas e do Mercado de Artesanías.
Voltamos ao Hostel para o Osgel nos levar jantar, no Chaski restaurante, o menu turístico, com uma entrada, o segundo e um suco.

A Plaza Central
O Ogro foi de sopa de entrada, a Júlia de salpicão de frango e eu de palta a vinagreta. O segundo pediram pollo, os dois e eu de carne de alpaca. Também estava incluído no pacote, não lembro quanto era...
Jantamos, passamos na bilheteria para pegar com o Osgel o ticket do bus para subir para Machu Picchu e compramos a descida e voltar ao Hostel para descansar. Chega de estrada!!





domingo, 29 de julho de 2012

Terceiro dia Salkantay De Colpapampa para Santa Teresa e os Baños Termales de Colcamayo




Depois do chá de coca na barraca, mesma coisa, guardar os sleepings bags, isolantes, trocar de roupa e desayuno, dessa vez com omelete, salada uma aveia já previamente preparada para misturar com café ou chocolate. Aqui foi o ponto onde nos despedimos do arriero, Alex, e não obrigatório, mas vale a propina-gorjeta, de praxe.

Começaram a passar pelo camping várias pessoas já iniciando a descida, inclusive várias vans para descer o pessoal. Sugerimos ao Ogro esssa opção, mas ele disse que tinha vindo para caminhar, não para andar de bus, então, fazer o que... O Osgel disse que deveria ser cerca de S/ 10,00 para cada um.
Nosso alento era o fato de ser descida, e... para descer, todo santo ajuda. Também era estradão, então não tinha muito problema, e ainda o fato de que estávamos descendo mesmo, e a diminuição da altitude ajudava muito a respirar...
No começo da estrada, há a opção de atravessar o rio e seguir por uma trilha, só que do outro lado, margeando o rio. Optamos pelo estradão mesmo.

Estrada
Conforme descrito no programa, a paisagem vai mudando mesmo, e da vegetação de altitude, passa para a tropical, e se nos distraíssemos por um momento, era como estar caminhando em qualquer lugar aqui do Brasil.
O caminho vai passando por várias cachoeiras do lado direito e o rio sempre do lado esquerdo. O Osgel ainda ia de vez em quando parando e apontando a vegetação e nos apresentou a granadilha, que comemos, com aspecto de maracujá mas dentro bem docinha, e ajudou meu estômago já avariado.

a granadilha
Saímos de Colpapampa à 2.800 m e chegamos, 13 km depois e cerca de 5~6 hs, à Playa, que fica a 2.400 m. Nunca imaginamos que isso iria acontecer, considerando o frio de Cusco, que ficaríamos só de bermuda e camiseta. Começamos todos paramentados e fomos descascando ao longo do trajeto. O lugar fica no fim do vale mesmo, é cheio de barracas para todos os lados e têm alguns pontos de comércio e vários locais que devem funcionar como restaurante. Sinceramente, se você puder pegar o bus para descer esta parte, vale a pena, afinal, é estradão, e mesmo com o avistamento das cachoeiras e tudo, não é lá, uma caminhada imprescindível.

o almoço na Playa
O Roberto já nos esperava com o almoço pronto em um destes, com o suco, sopa, arroz, guacamole, salada de legumes, frango e mandioca cozida.
Comemos e pegamos um bus até Santa Teresa, nosso acampamento desta noite, 20 km depois, sacolejando numa van, junto com mais 10~11 pessoas por uma estrada poeirenta, por cerca de 1:30 hs. Santa Teresa é grande até, tem vários comércios, a plaza principal e o pessoal comentou depois que tem até balada à noite.
Já havíamos comentado com o Osgel sobre as Termas de Santa Teresa, mas ainda haviam informações que não era possível visitar, pois na enchente do rio Santa Teresa em 2010, tinha sido destruído. Ficamos muito contentes quando disseram que estava reformado e que poderíamos visitar o lugar, e ele combinou com o mesmo bus que nos levou até o acampamento, por S/ 10,00 cada a ida e  volta até as Termas. Nos trocamos bem rapidinho e seguimos para os Baños Termales de Cocalmayo.
Imprescindível, não deixe de ir quando for a Santa Teresa. Todo mundo fala das termas em Aguas Calientes, mas o que vimos não nos apeteceu, digamos assim, naquele piscinão com azulejos verdes e águas marrons, mas o de Cocalmayo, mesmo sendo piscinões, têm a água cristalina, e cada piscina tem uma temperatura diferente. Você pode começar da ducha natural que cai mais para baixo da área das piscinas, e vir subindo, da mais fria para a mais quente, foi o que o Ogro fez. Nós tomamos a ducha normal, obrigatória, logo depois da entrada e já fomos para a mais quente.
Uma delícia!!!!
Uma pena que na pressa, nós esquecemos de levar a máquina, então, enquanto o Osgel não manda as fotos dele, vou anexar de outros lugares, só para se ter uma idéia:

Achei um  blog sobre Cocalmayo , mas ainda achei meio incompleto.

Este vídeo , um tanto antiguinho, de 04 anos atrás, mostra como era o lugar antes. Agora está com uma configuração um pouco diferente.

Aqui as opiniões do pessoal da  TripAdvisor.

Chegamos aos Baños por volta das 15:30 hs e teríamos 2 horas mais ou menos para desfrutar do lugar. Na sua visita, aproveite para chegar o mais cedo que você puder. Lá pelas 16~16:30 hs, começam a chegar gente de todo lado: o pessoal que faz o Inca Jungle termina aqui, mais um monte de bus chegando de Santa Teresa, faz o lugar mais tarde ficar parecendo um piscinão público.
Por volta das 18:00 hs o bus veio nos buscar e voltamos ao acampamento. O jantar foi marcado por um banquete de despedida. Detalhe: tinha comentado com o Osgel para deixar o jantar sendo apenas a sopa e o Roberto poderia nos acompanhar às Termas, o que foi veementemente negado pelo Roberto, dizendo que ele estava lá era para cozinhar, o que ele iria fazer com toda aquela comida de volta para Cusco???
Assim, seguido do banquete, com a sopa depois arroz, macarronada, frango, salada e papas releñas, seguimos conversando com o Osgel e o Roberto um tempão, “papo chato”, na convenção da Júlia, sobre a política local, entre eles saúde, educação, economia, os planos de governo, tudo explicado com muitos detalhes e muito orgulho, e parênteses aqui, eles tinham comentado da grande festa que rola neste acampamento, da moçada que se reúne depois do jantar em torno da fogueira e ao som de muita música alta, e que nós nos poderíamos nos reunir a esta confraternização.


Se tivéssemos 25 anos, faixa etária média, (ou bem menos) acredito, da grande maioria dos frequentadores da trilha, estávamos lá embaixo, mas preferimos conversar com os guias sobre essas coisas, inadmissível para os jovens, ao passo que ficamos também surpresos, pois o nível de esclarecimento, o patriotismo é bem diferente dos jovens que encontramos no nosso país, não generalizando, mas a conversa usual que ouvimos, sobre futebol, novela, Big Brother ou coisas do gênero como A Fazenda faz pensar sobre os rumos que estamos tomando. Ou não, é coisa de gente velha e chata, como a gente...
Fomos dormir com essas reflexões, ao som de Michel Teló, Macarena, e outras músicas de igual qualidade e cansados pelo dia, mas satisfeitos pela conversa, nem a “música boa” atrapalhou o sono.




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Segundo dia do Salkantay-De Soraypampa para Colpapampa



O ponto alto da Trilha- O encontro com a Montanha Selvagem

O Alex veio nos acordar com a garrafa térmica de água quente e o folhas de coca. Depois de previamente aquecidos pelo chá, bem importante para que ainda mantivéssemos o calor do sleeping bag, juntamos nossa tralha e descemos para o desayuno, que surpresa! Nem em sonho pensei em acordar num acampamento com panquecas de banana cobertos de doce de leite no café da manhã, mais café e té.

Olha isso!!

Onde ficou nossa barraca
O refeitório e  cozinha
Saímos meio atrasados e por conselho do Osgel e do Roberto, invertemos a mochila, pegando a mochila da Júlia, e deixando do João-delivery com menos peso, só o essencial, por volta das 7:00 hs, mas como  o Osgel havia falado que neste dia usaríamos o cavalo revezendo na subida, eu e a Júlia, acho que ele nos deu esse luxo, da saída tardia.


Mountain Lodge
Passamos pelo Mountain Lodge, aquele do trekking luxuoso e o Osgel nos mostrou.


A subida no começo parecia leve, mas a falta de ar persistia, comecei a ficar muito para trás e o Osgel mandou eu subir no cavalo e lá fui, descansando. Na subida desgraçada, em zigue zague, lá vou eu para o cavalo de novo... Confesso que a sensação é de alívio, lógico, mas dá um certo ar de fracasso, vendo todo o povo sofrendo e principalmente eu deixando a Júlia e o João para trás, e falando para o Osgel, “-deixa eu aqui no meio, para a Júlia pegar o cavalo”, e ele não se convenceu e falou que não, só quando chegássemos lá em cima eu descia...


E assim fomos, conforme descrito na programação, atravessando o estreito de Salkantaypampa para ir ao lado esquerdo do nevado Umantayblanco.
Acabando a subida, conforme o combinado e para não atrasar muito continuei a caminhada, enquanto o Osgel esperava os dois. Tirando a falta de ar, tudo é de uma beleza diferente para nós, que não estamos acostumados com esse tipo de paisagem... tudo branquinho, coberto pelo gelo, o azul intenso, impossível descrever, mais aquela vastidão branca, pontuados com pontinhos negros, e como todos os turistas estão cansados, acaba aquele falatório do lado e foi ótimo para passar um tempão sozinha, caminhando...

Um lago meio congelado. Olha as pessoas pequenininhas, lá atrás
Na reta final da subida, aparece o Osgel de novo, me oferece o cavalo novamente, pergunto sobre a Júlia, ele disse que ela usou o cavalo um pouco lá atrás e subo de novo.
Chegamos ao ponto mais alto, a passagem Salkantay Umantay por volta das 11:45 hs, e lá o Osgel explica mais um pouco sobre as formações colocadas lá, (vou tentar lembrar como ele falou, mas não tenho certeza absoluta, gente)...
As apachetas
 As apachetas, onde se acreditava (e acredita-se ainda) que quem coloca uma pedra no topo da montanha e crê do fundo do coração, tem seu desejo realizado. A ligação do povo inca com sua religião e sua influência na vida cotidiana dos campesinos-os camponeses,que os incas cultuavam este lugar  e outros apus-montanhas como um lugar sagrado, pois representava a ligação com Inti-Sol, a PachaMama-a Mãe Terra e os picos nevados, que após o derretimento da neve, traria água, e seria um local para pedir as bênçãos para uma boa colheita.

Ói nóis aí traveiz...
Esperamos a chegada do João e Júlia, que chegaram por volta das 12:30 hs, bem cansados.
Enquanto pegávamos emprestado a bandeira brasileira dos rapazes Guilherme, Rodrigo e Felipe, de Porto Alegre, que conhecemos nesta trilha e que voltaríamos a nos encontrar em diversas vezes para tirar a foto clássica, vi uma coisa que em todos estes tempos não tinha visto ainda, que foi o João desatar a chorar em uma trilha...
Ele me contou depois que foi um misto de sentimento de conquista, mais do cansaço, mais toda a história que o Osgel contou para ele que não conseguiu segurar. Contou também que durante a subida em zigue zague viu gente chorando, achando que não ia conseguir, e também que a Júlia desabou a chorar depois que acabou a subida. Disse que todos os guias que passavam por ele e pela Júlia perguntavam se estava tudo bem, e também aconselhavam, diziam palavras de incentivo e até de simpatia, onde uma guia falou que era para eles pegarem qualquer pedra da trilha e esfregarem no corpo, pedindo para levar o cansaço embora. É, esta trilha foi punk.

Imagina a nossa coragem para andar depois de um almoço desses!!!
Começamos a descida, achamos que seria perto, mas ainda teve muito chão até o almoço.
Almoço de novo bem farto, suco para nos esperar, arroz, bife, um refogado com um feijão verde local e outras vegetais locais ardidos, mas saborosos, batatas com um creme bem picante e salada.
Não deu para descansar de novo, porque acabamos nos atrasando para variar, e fomos lá, descendo, descendo, e percebendo que a paisagem ia mudando, conforme íamos descendo.
Passamos no segundo Lodge do Montain Lodge e a Júlia disse que gostaria muito de ter ficado por lá mesmo...
Durante o caminho encontramos algumas habitações, duas menininhas no meio da trilha, cerca de 6~7 anos, bem bonitinhas, com aqueles uniformes que achamos o máximo, de saia pregueada, casaco com brasão e meias até os joelhos, que brincaram conosco sobre contas de somar e multiplicar e a cada resposta que fornecíamos à pergunta formulada era recebida com sonoras gargalhadas pelas duas, e fomos nós,descendo, descendo...
Nos encontramos num pequeno povoado e muitos daqueles que havíamos visto lá no alto, já estavam ensaiando uma pelada nos acampamentos... é, jovem é outra coisa...
O Osgel, com o “mais 25 minutos” eternos dele, já escurecendo, atravessamos uma ponte sobre o rio, o cavalo se soltou dele, ele foi atrás, nós 3 sem saber o que fazer por um breve momento, até que ele nos encontrou e fomos seguindo, por um caminho que já não dava para ver direito, porque tinha sobrado uma lanterna bem fraquinha, que por acaso tinha ficado na mochila da Júlia, as 3 restantes estavam lá no provável acampamento, já montado, esperando por nós.


Quem quase ficou com vontade de chorar nesta hora fui eu, de cansaço, da escuridão, de um lugar que o Osgel falou que tinha desabado e que era para a gente passar correndo, imaginando no cansaço da Júlia e do João que deveriam estar muito maiores do que o meu...
Não sei direito quanto tempo, que para mim foi um tempão, chegamos ao segundo acampamento, num camping mesmo, estava ainda bem frio, mas menos frio que o primeiro dia, pois estávamos a 2.800 metros.Cumprimos neste dia 21 km, e descemos 1.000 m de altitude.

Seguimos a mesma rotina, pulamos o happy hour e fomos direto ao jantar: a sopa como entrada, macarrão e salada. Vimos durante o jantar e o Roberto nos chamou a atenção para isso, para olharmos como as crianças estudavam lá: a menina na beira da fogueira, com uma lanterna iluminando seu caderno e explicando toda orgulhosa para o irmão mais novo o que havia aprendido na escola. Ele ainda riu: “-É, igualzinho as crianças do Brasil devem estudar, na sua mesinha, com sua luminária particular...” (pensei, é bem assim mesmo, e ainda assim, elas reclamam da vida, por aqui...
Daí, para a barraca, descansar.






Início da Trilha Salkantay- De Mollepata para Soraypampa



O pessoal da agência veio nos buscar às 5:30 hs, com o Fredi para apresentar o guia  Osgel Guevara e o chef Roberto. O Fredi saltaria logo nos deixando na van que seguiu para Mollepata, a 90 km de Cusco, numa estradinha sinuosa que para variar a Júlia teve que dar uma paradinha antes do desastre iminente...
Chegamos por volta das 8:30~9:00 hs em Mollepata por causa da paradinha e tomamos o desayuno no Restaurante Turístico La Casona de Mechita, (o único no local, me pareceu e que todos vão tomar o café da manhã). Estava cheio de turistas tomando o desayuno e fomos de café continental, S/ 10,00, pão, manteiga, geléia, café, chá de coca e suco de laranja, básico.
O Osgel perguntou se gostaríamos que o carro seguisse com nossas mochilas e sugeriu que só um ficasse com algumas coisas básicas, como água e alguns snacks, se fosse o caso, o que acatamos de imediato e a partir daí, o Osgel apelidou o João de “serviço delivery”.

Uma paradinha para descanso
A caminhada começou tranquila, um clima agradável, até um calorzinho gostoso e fomos cortando o caminho pela longa estrada. (Depois no final é que descobri que esta estrada levava praticamente até o nosso destino final, pertinho do chiquetê Montain Lodge Mountain Lodges.
Os guias falaram que a mesma trilha que fazemos em 4 dias é feita em 6 dias, parando em todos os Lodges, clique aqui para ver o detalhamento.Isso se você quiser gastar a bagatela de US$ 2.500~US$ 3.000,00, dependendo da temporada. 

Almoçamos aos arredores de Cruzpata, já estávamos famintos e foi aí que percebemos o nível que teríamos nas refeições: primeiro, um suco, depois de entrada uma sopa de maiz-milho, depois arroz, coxa de peru, salada (alface, tomate, cebola) e papas-batatas cozidas (para nós, acostumados a não almoçar e dar uma paradinha para comer sementes, barrinhas de cereais, chocolates, bolachas, enfim, porcarias, foi um banquete).
A fome era tanta que ninguém lembrou de tirar uma foto...
Para finalizar, chá de muña, um arbusto que vimos no caminho, e o Osgel nos mostrou, mascamos um pouquinho e parece muito com menta, uma delícia, além de ser digestivo, segundo eles.


Subindo...
Não deu para descansar muito, pois como éramos muito lerdos, deu tempo só de comer e prosseguir. Na nossa lerdeza, chegamos já anoitecendo no acampamento, em Soraypampa, tendo vencido portanto 1.000 metros de altitude e 19 km de trilha. Como bem o Osgel disse para nós, logo no começo da caminhada após o almoço, mostrando nosso destino final do dia “-parece estar cerca (perto), pero no es...”.

 Eu já cheguei quase me arrastando, sem ar, o ar ficando cada vez mais gelado, pois além da altitude, o ar que soprava era generosamente resfriado pelos picos nevados ao redor...o João bem cansado também. A única que conseguiu prosseguir sem tanto atraso foi a Júlia.
O acampamento é dividido em vários locais, como tendas rústicas, cada grupo fica no seu cantinho, e no nosso caso, havia uma casinha que era banheiro, e outra estrutura também que era a cozinha e o refeitório, bem rústico, mas qualquer coisa é melhor do que ficar ao ar livre), naquele frio!!!
o Alex e a nossa barraca sobre o feno
Uma alegria ver a barraca já montada, dentro de uma cobertura e o chão todo coberto de feno, então a nossa quase certeza que iríamos passar bastante frio já ficou para trás. Banho de lencinho, claro, e depois fomos para o refeitório para o que o Fredi chamou de “happy hour”. Nos matamos eu e a Júlia, com as galletas- bolachinhas, café, té- chá, e  até palomitas-pipocas!!! quem diria!.
O João estava cansado demais e nem quis participar do happy hour e já quis logo a cena-jantar. Nem bem saímos da mesa e voltamos, com sopa de entrada, arroz, frango e salada, mas como nos empanturramos antes, infelizmente aproveitamos pouco.
Dali, gostaríamos muito de ter ficado olhando as estrelas, naquele tempo gelado, e sem luz elétrica nenhuma, para atrapalhar a visão. Foi o céu mais bonito que já vimos, tentamos bestamente tirar fotos e só apareceu um borrão preto, vai ter que ficar na  memória de quem visualizou este céu. A idéia romântica que o João teve de levar uma mantinha que estava na mochila dele, para vermos o céu estrelado a noite, se dissolveu completamente ante o frio e o cansaço do dia e fomos nos recolher no aconchego da barraca...



sábado, 10 de setembro de 2011

Quarto e último dia- o final da Trilha do Ouro


Cachoeira do Veado


No dia seguinte, café da manhã com bisnaguinha, bolo, queijo branco, manteiga, leite, café e achocolatado. Dei o recado para o Tião do Zé Milton, da MW que provavelmente na semana seguinte, ele estaria por lá com um grupo (daí também pude comprovar que os recados chegam assim, através de outros viajantes, ou como nós, através da Pousada Barreirinha, ou de alguma forma semelhante, esqueça internet ou telefone).
Como disseram em todos os relatos que o terceiro dia era o mais puxado, tentamos sair o mais cedo possível, e às 8:00 hs já nos despedíamos do pessoal. Já começamos errado logo de saída. Saindo do Tião, você não precisa atravessar de volta a gaiola, é só seguir direto, beirando o rio Mambucaba.
Acontece que pegamos uma trilha que subia o morro e fomos parar no curral dos cavalos, achando que estávamos no caminho certo... Quem veio nos socorrer foi um outro hóspede, o Rogério, que havia chegado um dia antes, e estava percorrendo toda a Serra só que a cavalo. Ele disse que não foi ele que viu que erramos o caminho. Disse que o burro (é verdade, gente, não é história!), que estava perto do cavalo que ele estava selando para o seu passeio, levantou as orelhas, alertando que havia alguma coisa errada! Foi aí que ele começou a olhar e viu que estávamos subindo o morro, em vez de descer e veio em nosso socorro.
Ele perguntou se havíamos feito a trilha antes, dissemos que não, e gentilmente, (na verdade, ele estava bem preocupado com a gente- o que nos fez ficar (mais) preocupados também) nos levou até a porteira, explicando que deveríamos seguir sempre o rio e procurar o calçamento colonial. Disse ainda que havia feito este percurso a pé, no ano passado e à cavalo no dia anterior, e para seguirmos sempre o calçamento.
Também disse para prestarmos atenção entre os kms 8 e 10, depois da primeira bananeira, haveria um marco, e entrando cerca de 50~100 m, encontraríamos as ruínas de uma construção antiga...
Nos despedimos, muito agradecidos e continuamos nosso caminho. Mais um erro, que deve ter nos custado uns 500 m de “andada” a mais, pois na primeira bifurcação, acabamos descendo, à direita, tentando seguir o rio, logo à direita, mas como não achamos o calçamento, subimos tudo de volta e depois da bifurcação, à esquerda, encontramos os sinais do calçamento. Isso ocorre por volta de 3 km depois da saída da Pousada do Tião, e a subida referida do Clube dos Aventureiros. Também, de acordo como mapa do Fábio, deve ser a parte que diz sobre “... início da subida (subida difícil!)- Atenção! Trilha estreita, seguir pegadas de mulas... “Aqui avistamos também a Cachoeira dos Veados, só de longe... mas ainda assim, uma visão impressionante! Também referenciado no mapa do Fábio.



uma pequena cachoeirinha
  

O famoso calçamento de pedra

Depois deste  trecho, praticamente é só descida. Tudo o que já foi falado sobre o calçamento de pedra, é real, e novamente, os tombos foram inevitáveis...
 Mas passamos por trechos muito bonitos, como uma pequena cachoeira, com uma “ponte de pedra”, por volta dos 7 km. Procuramos por volta do km 8 ao 10 a primeira bananeira, mas já havíamos passado por várias bananeiras no caminho, e lógico, que não conseguimos achar o marco, e tão pouco as ruínas da construção, fica aqui a dica, quem sabe você consiga encontrar...
E descendo, descendo, naquele mar de pedras. Brincamos que se dizem que as pedras trazem energia, em alguns “estudos esotéricos”, então estávamos energizados até o fim da vida! Hehehe...
A ponte de madeira para a travessia do rio Mambucaba
Finalmente chegamos no local no relato do Clube dos Aventureiros, que fala sobre a ponte de madeira, para atravessar o rio. Ficamos com medo de atravessar, pois ela estava com vários pontos falhos e os cabos não pareciam nada seguros. Descemos num ponto, uns 50~100 metros, (eu acho), num ponto mais raso do rio (você vai perceber, pois mais abaixo, o rio se transforma, num rio enorme e não dá mais para atravessar) e continuamos a trilha.
Depois desta travessia, realmente cerca de 2 km depois,o terreno vai ficando menos inclinado, a vegetação muda, percebemos que estamos beirando alguma propriedade particular e novamente, como um oásis, surge a ponte de arame do nosso lado direito!!!



A ponte de arame
 


Depois da Trilha, até que as carinhas estavam boas!

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O pedômetro marcava na Júlia cerca de 16 km e 15:45 hs. Disseram que os trilheiros faziam este trecho num período de 6 horas e fizemos em 8 hs! Sei que para os mais velozes pode ser considerado lento mas para nós foi uma vitória! Corremos porque havíamos marcado de nos buscar às 17:00 hs e nosso medo (de novo) era pegar a trilha no escuro. Cronometramos nossos passos o dia todo, quase não paramos, só em paradinhas bem rápidas, para tomar fôlego e uma água e chegamos a caminhar comendo, para ganhar tempo, mas valeu a pena.

Como marcado às 16:45 hs, avistamos o “resgate” vir nos buscar, com o Dobló do Daniel. Creia-me, vale a pena e garanto que todos pagariam o que fosse para sermos levados até Mambucaba de carro. São 15 km, mas para quem já andou 17~18 km naquele calçamento de pedra , foi um grande alento!

O percurso foi feito em 1h aproximadamente, pois a estrada é de chão batido, plano, mas não dá para correr como no asfalto. Chegamos na  Pousada Aldeia do Mar uma gracinha!


Pousada Aldeia do Mar
Nos instalamos, tomamos um banho demoradíssimo cada um e fomos jantar na Estrela do Norte, ou como dizem no local, na costela no bafo. Acho que nunca andamos tão devagar uns 3 quarteirões. Os joelhos rangiam, as panturrilhas estavam endurecidas feito pedras, as bolhas imploravam clemência a cada passo, mas lá fomos, passo a passo...

Comemos o prato da casa, claro, por sugestão do garçom: costela no bafo, com mandioca cozida, porção para duas pessoas por R$ 29,00 mais uma porção de baião de dois, também para duas pessoas, por R$ 17,00 e uma porção de queijo coalho, por R$ 8,00. Quando vimos o tamanho dos pratos chegando, assustamos e tivemos a certeza que não éramos páreo para aquela montanha de comida, mas com a esfarrapada desculpa que tínhamos que descontar tudo o que havíamos caminhado durante o dia, nossa gula foi maior do que a educação e o estrago foi feito!
Voltamos para a Pousada descansar, felizes de termos realizado mais uma travessia e desta vez mais devagar ainda, com os 5 kg adquiridos na comilança!

Nossas impressões finais: ficamos felizes de cumprir mais uma travessia, mas não sabemos se faríamos novamente. Apesar de todo o planejamento, ficamos o tempo todo com receio de errar de caminho, pois apesar de ser um Parque Nacional, a estrutura ainda é precária (aliás, não existe estrutura).Neste caso, saudades da estrutura do Pq. Torres del Paine, no Chile. Nos sentimos muito mais seguros, apesar do país estrangeiro e da língua diferente, as placas e marcações ao longo de todo o caminho não deixavam dúvidas.

Não falamos aqui, em hipótese nenhuma, de restaurantes e lanchonetes aos pés das cachoeiras, achamos isso um atentado a qualquer roteiro que se diz ecológico, na verdade... aquele monte de gente, bebedeira, música alta da pior qualidade, gritaria não combina com cachoeiras e lugares para contemplar a Natureza. Não temos do que reclamar com relação às hospedagens. Através dos relatos que acompanhamos, sabíamos exatamente o que encontrar, e na verdade, comentamos que poderíamos ter fatiado ainda mais o caminho e ter passado mais uma noite em uma das casas, para descansar e aproveitar mais o lugar, pois são lugares bastante isolados, calmos e muito bonitos!

Se (se) fizéssemos a trilha novamente, certamente optaríamos pela escolha do S. Sebastião da Pousada Barreirinha. Assim, não teríamos levado tanta bagagem e os apetrechos para a segunda viagem, teriam ficado no carro...tornado a travessia mais tranquila. Mais um aprendizado...





quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Terceiro dia- da Pousada Barreirinha para a Pousada do Tião

Lindos vales no segundo dia na Trilha do Ouro
Acordamos já mais tarde, um dia lindo de sol, ainda quebrados... O café da manhã já nos esperava, com pão, bolo, café, leite, achocolatado e queijo branco.


Como havíamos conversado no dia anterior, o S.Sebastião falou que até a segunda pousada, o outro Tião, era uma caminhada tranquila, acabamos ficando, tomando café bem tranquilamente, brincando com o porco do mato de estimação do Matheus , conversando com o S.Sebastião e a D. Vanda na mesa da cozinha, como a gente faz na casa de mãe, depois é que fomos arrumar as malas, acabamos saindo da Pousada Barreirinha só às 11:00 hs!

Casa da D. Palmira


         A dica aqui do S. Sebastião, foi sempre pegar à direita, em todas as bifurcações. Como detalhado no roteiro do Clube dos aventureiros, cerca de 2 km depois, passamos pela bifurcação, mantenha sua direita. Encontramos a Pousada da D. Palmira, uma casinha azul e branca, mas não havia nenhum viajante e a Pousada estava fechada. Só confirmamos com algumas pessoas que passavam por lá. Daí a importância de você agendar antes e combinar, não é uma Pousada (nenhuma delas, na verdade, são as casas dos colonos que funciona como hospedagem). O Zé Milton, da MW Trekking comentou que costuma ficar nesta pousada, quando passamos por São José do Barreiro.                        

Seguimos em frente, e a trilha sobe um pouco, passamos por campos bonitos, com um lago, um visual bem bonito, passamos por vales salpicados de araucárias, ficamos em dúvida num local onde no mapa do Fábio marcava que “entrando um pouco no mato, encontra-se uma pequena cachoeira” e tinha uma trilha bem pequena à direita. O João foi perguntar para um pessoal que capinava o morro, perto das araucárias, e a Tânia com o Felipe seguiram em frente.  A indicação neste ponto seria só seguir a estrada principal mesmo,  passando por um pequeno sítio, e do lado direito tem uma subidona bem puxada.


Depois deste trecho de subida, a estrada começa a descer, achamos que encontramos o “trecho de mata fechada” descrito no mapa e também o começo do calçamento colonial.

O grande problema do calçamento (e olha que nós pegamos o tempo aberto, sol pleno), é sua irregularidade, as pedras grandes, soltas, pelo tempo em que foram colocadas lá, o terreno arenoso, que não fixava mais as pedras, escorregadias de fato e ainda que todos seguíssemos os conselhos de tentar não pisar sobre as pedras, todos levamos alguns tombos... uma grande ajuda aqui, (imprescindível, no meu caso, por causa do problema com os joelhos) foram os bastões de caminhada. Acredito que se não estivéssemos com este equipamento, os tombos teriam sido em muito maior número e os joelhos estariam detonados no final do dia...


A casa do Tião "errado"

Depois, só tivemos dúvida num trecho da trilha onde havia uma porteira à esquerda e a trilha continuava à direita. Estávamos na frente, e a Tânia e o Felipe um pouquinho mais para trás. Deixamos a Júlia no meio da trilha,esperando a gente ir perguntar o caminho (vacilada nossa, depois é que nos demos conta...) e seguimos eu e o João para dentro da propriedade. Encontramos uma senhora numa das casas e perguntamos da Pousada do Tião. Ela disse que era um pouquinho mais para baixo e ele já estava nos esperando.


Voltamos de novo para a porteira,pegar a Júlia e nos deparamos com um senhor à cavalo, seguidos pela Tânia e o Felipe sorridentes, dizendo que tinham encontrado o Tião... fizemos aquela cara de ué... e ele falando para entrar, que nós tínhamos chegado na casa do Tião, e a gente não entendendo nada, e seguindo o homem...a Tânia olhando para a gente, como, e aí, o que é que vocês estão estranhando... e nós nos perguntando, mas quem será esse sujeito...uma coisa bem esquisita...

"A árvore que só tinha na casa do Tião"

Aí perguntamos do outro Tião, e aí ele foi falando que ele era o tio dele, a senhora era a mãe do Tião, mas que a gente poderia ficar lá, que ele estava mostrando a propriedade que lá caberiam 500 pessoas para dormir, que era bom a gente publicar isso na internet, se a gente não queria tomar uma cerveja, foi mostrar o quarto dele, uma árvore “linda” que só existia na casa dele, e a gente querendo fugir daquela situação estranha. Quando ele viu que não íamos ficar mesmo, e fomos nos afastando, disfarçadamente, nos despedindo e agradecendo...ele foi mostrar um “atalho” para podermos voltar para a estradinha e depois de uma pequena travessia numa pinguelinha, ele nos abordou de novo perguntando se a gente não tinha nenhum tipo de remédio. Dissemos que sim,”- mas que tipo, para dor, para gripe, qualquer coisa serve”, comentamos que se passássemos os medicamentos para ele, ficaríamos sem, caso precisássemos e saímos mais que depressa!

Fazenda Central

Neste ponto, atenção, trilheiro, não entre à direita, na porteira, é só continuar a estrada, à esquerda, a não ser que você faça questão de conhecer o tio do Tião e sua árvore exclusiva!
Estávamos bem cansados, não queríamos ser pegos pela noite mais uma vez, e estávamos em descida, terreno que eu e a Júlia “tiramos nosso atraso” e saímos em desembestada carreira. Não nos demos conta de quão rápido estávamos, até a Tânia reclamar que estávamos muito rápido e desaceleramos um pouco, para ficarmos todos juntos, pois acabamos todos ficando com medo do homem voltar atrás da gente, sabe-se lá, tem cada tipo de coisa que a gente vê e ouve hoje em dia...

Logo em seguida passamos pela Fazenda Central, mais um ponto de referência do mapa do Fábio, o S.Sebastião havia mostrado a foto, daí também sabíamos que estávamos no caminho certo, e como ele também havia dito, como uma árvore havia caído, logo avistaríamos a gaiola para atravessar o rio Mambucaba para o Tião. Detalhe: avistamos inúmeras das árvores “exclusivas” do outro Tião no meio do caminho. Neste dia, trocamos de “hospedeiro” e quem estava com o pedômetro era a Júlia. S.Sebastião havia dito que seriam cerca de 10 km de caminhada e este marcava exatos 10,56 km...


A gaiola para a travessia para a casa do Tião
Estávamos muito felizes de ter conseguido chegar ainda claro, de estar “a salvos” e encontrado nossa segunda Pousada. Foram o Felipe e a Júlia testar a gaiola primeiro. O Tião logo percebeu que havíamos chegado e já apareceu do outro lado para ajudar a puxar a corda. Em seguida fomos eu e a Tânia, ela agachada, de prontidão, caso acontecesse alguma coisa e precisasse pular na água para me pegar, mas foi tudo tranquilo, e depois ficou o João sozinho. Ele foi tentar ajudar a ser empurrado, se desequilibrou e caiu na água... Foi uma gritaria, (como vcs podem ver no link do título do post do planejamento), mas ainda bem que não aconteceu nada de grave! O Tião, correu feito um louco, rio abaixo para tentar resgatar algumas coisas, coitado!  Conseguiu trazer boa parte, ficou ensopado e o resto (na verdade, só foram embora um casaco e um cobertorzinho de trilha) foi levado rio abaixo!! O pessoal que estava na Pousada veio ver a nossa algazarra, e logo fomos subindo. O Tião comentou que sempre acaba caindo alguém, dando risada....
A casa do Tião

Refeitos do susto, do tombo e pegando só cantil e lanterna decidimos ir até a Cachoeira dos Veados, um dos (se não o maior) atrativo da Trilha do Ouro. Toca subir na gaiola de novo... Descemos correndo quase pela trilha, pois já estava começando a ficar escuro, mas a noite nos pegou de novo. Nos deparamos com outra pinguelinha para chegar até a Cachoeira. A Tânia e o Felipe decidiram voltar, o João atravessar a ponte e eu e a Júlia ficamos com medo de atravessar aquela ponte no escuro e ficamos esperando o João voltar no meio da mata, à noite. Não foi nada muito confortável, ainda mais depois de tantos sustos... O João voltou depois de quase meia hora, disse que era muito bonito, mas como já estava escuro, não deu para ver muito bem...


Voltamos correndo para a Pousada, atravessar a gaiola de novo, íamos passar direto por ela, não fosse a Tânia e o Felipe nos sinalizarem com as lanternas e nos chamarem do outro lado do rio.

Tomamos um banho quentinho, gostoso, com água quente de serpentina de novo. O jantar foi mais simples desta vez, arroz, feijão, galinha caipira, salada de repolho e macarrão. Comemos, ficamos um pouquinho na frente da casa, nos aquecendo na fogueira, até bater o cansaço de novo e irmos descansar.


domingo, 4 de setembro de 2011

Segundo dia- O início da Trilha do Ouro- da Portaria do Pq. Nacional até a Pousada Barreirinha


A caminhonete do Roger

O início da Trilha do Ouro, propriamente dita.

Acordamos cedo, nos arrumamos e 6:30 hs, já estávamos rumando para a padaria O Ponto, num frio!! Já estava aberto a nossa espera mesmo, a atendente nos indicou o salão lá em cima, mais resevado e quentinho!! O Roger nos esperava já com a caminhonete e lá de cima no salão, vimos a Flávia e o Gabriel chegarem.
Como sabíamos que iríamos sacolejar na caminhonete, nada muito forte, um pão na chapa, café preto, bem básico.
Saímos por volta das 7:30 da cidade, rumo ao Parque Nacional da Serra da Bocaina, subida devagarzinho, na carroceria aberta, admirando a paisagem de frio, com aquela neblina subindo, o céu de um azul indescritível, batendo papo com os amigos, trocando idéias e experiências, coisa boa!
Paramos um pouco para tirar fotos, o frio apertando, e 2:00~2:30 hs e cerca de 27 km depois, chegamos na Portaria do Parque, com muito frio.
Nossas autorizações já estavam na Portaria, com nossos nomes, deixados pelo pessoal da Pousada Barreirinha, conforme o combinado, assinamos a autorização, os Guarda-Parques nos informaram que a temperatura havia sido naquela manhã de -1º C!!, daí o frio que ainda sentíamos!
Pegamos uma informação básica do caminho, pois o que mais nos preocupava era errar o caminho e não conseguir chegar nas pousadas, mas eles disseram que não tinha erro, era só seguir a estrada, então, para frente e avante!
Bem, não foi assim, tãaao, para frente e avante... O Gabriel e a Flávia estavam com problemas em acomodar todos os equipamentos, pois eles iriam ficar acampados, não nas pousadas, então havia muuuita carga e víamos que a Flávia estava sentindo muito o peso da mochila, enorme!!!
Também seria a primeira travessia mesmo, da Tânia e do Felipe e até a mochila “incorporar” em você e começar a fazer parte do seu corpo, demora, assim como nós, destreinados com o peso, tivemos que começar bem devagarzinho para que o cérebro e o corpo assimilasse que aquele peso enorme agora fazia parte do seu ser...
Entre arrumadas de mochila, tirar saquinho, colocar saquinho, ajustar alças, pensar 50 vezes que deveria ter deixado metade da comida na cidade, se perguntar porque *!# tinha que ter uma camiseta limpa para cada dia, por que tínhamos que trazer tanta roupa de praia, e coisas do tipo, entramos na trilha de fato, por volta das 10:30 hs, quase 11:00 hs.
Compramos um pedômetro desta vez, do modelo mais básico possível e levamos para “teste” na Trilha do Ouro. O manual já dizia que não era muito indicado para terrenos irregulares, mas a teimosia foi maior e pendurei na minha cintura para testar.
A trilha, apesar de temermos muito nos perder, por causa de alguns relatos, foi na maior parte do tempo, tranquila, com relação à sinalização, mas tentaremos dar o “passo a passo”, para reforçar o caminho. Nos dois primeiros dias, basicamente é seguir a estrada e nos pontos onde poderia causar alguma dúvida, tinha uma indicação.
Como o Gabriel e a Flávia estavam com problemas com a carga, acabamos deixando eles para trás e seguindo a trilha.



Cachoeira Santo Isidro

No comecinho da trilha mesmo, cerca de 1,5 km como dizem os relatos e o mapa do Fábio,você encontra a Cachoeira Santo Isidro, ponto de parada obrigatória. Existia plaquinha indicando. A descida é bastante íngreme, e aqui, aconselhamos deixar a mochila bem no começo da trilha e pegá-la na volta. Desça só com água ou alguma coisinha que quiser comer, por exemplo, e só. Acreditamos que todos que estejam dentro do Parque não teriam nenhum interesse especial na sua mochila. É um peso completamente desnecessário, e alivia bem a subida depois. Não deixe de visita-la, é realmente muito bonita!
Depois, o mesmo caminho de volta, subindo e continuar a trilha na estrada.
Depois de subirmos e andarmos um pedacinho, encontramos um grupo que estava com carros 4 x 4, nos cumprimentamos e eles disseram que estavam com as mochilas de um casal que tinham arrebentado a alça e estavam voltando para a Portaria... logo encontramos o Gabriel e a Flávia mais para a frente. Eles passaram pela gente enquanto estávamos lá em baixo na cachoeira, e infelizmente deixaram de fazer a travessia, por causa da alça arrebentada mesmo, deu um aperto no coração, ver eles voltando...uma pena!
Nada de muitas novidades na Trilha em si. Seguindo o mapa que tínhamos em mãos, só identificamos a parte que diz: Atalho- trilhinha, onde existe uma placa também, indicando o atalho (portanto, não tinha como não ver). De acordo com o desenho do mapa, deve cortar bem o caminho e é o único trecho dentro da mata, neste primeiro dia. Já começamos a perceber neste atalho, o que nos aguardava nos dias seguintes... muito úmido, por causa da mata fechada, a terra bem úmida, em vários trechos molhada mesmo e bem escorregadia, além de algumas pedras soltas...


                                                                                      Cachoeira das Posses
O pedômetro se mostrou como dizia o manual, completamente ineficaz neste tipo de terreno. Neste ponto marcava cerca de 5,5 km e estávamos inconformados... Sabíamos pela indicação excelente relato do Clube dos Aventureiros, onde baseamos quase 100% da nossa viagem, que perto do km 8, encontraríamos a Cachoeira das Posses. Havia também, uma placa indicando a Cachoeira. O Felipe estava já bem cansado e ele ficou no começo da trilha, guardando as nossas mochilas (lição aprendida!) para descansar um pouco, enquanto íamos visitar a cachoeira. Como diz o relato, existem locais muito bons para armar barraca, uma clareira grande, e uma casa abandonada, onde se estivéssemos preparados para acampar, seria por aqui mesmo que ficaríamos. O acesso para a Cachoeira é bem tranquilo, a descida não é tão grande como para a Santo Isidro. Comemos um lanchinho rápido, e voltamos para o começo da trilha, com o Felipe já reestabelecido para continuarmos a trilha.
Voltamos para a estrada e depois de cerca de 1,5~2 km, a estrada começa a subir, subir, e encontramos uma placa indicando o acesso para Arapeí, á esquerda e a trilha indicando a estrada principal. Ficamos meio em dúvida, mas quando achamos a placa indicativa da Trilha do Ouro e Mambucaba para a esquerda e da Pousada Vale dos Veados a direita, há 4 km, ficamos muito felizes, pois pelo menos até lá estávamos certos!
Depois deste trecho de subida, como o relato diz mesmo, continuamos subindo, e a paisagem vai se abrindo, realmente um dos pontos mais bonitos da travessia. Os vales tingidos com aqueles tons de lilás e laranja misturados nos brindaram com visuais incríveis.


Entardecer no Parque Nacional da Serra da Bocaina

Começávamos a ficar preocupados, pois o entardecer durou bem pouco tempo, e logo anoiteceu. A lua ainda não estava cheia, mas já clareava bem o caminho. Insistimos com as “crianças” em não acender a lanterna, pois a luz da lua era suficiente para clarear o caminho, novidade para elas. Sempre comentamos da luz da lua para a Júlia, mas foi somente aqui que ela pôde visualizar de fato...mas conforme fomos descendo, o caminho foi ficando mais cheio de pedras, algumas fendas nas longas descidas, e o risco de cair aumentando, então, todos de lanterna.
O desânimo, o cansaço, a fome, a dor nos ombros, nas pernas e nos pés, o desespero de não achar a “p” daquela capelinha, para sinalizar se estávamos perto ou não (de acordo com o relato, no km 17 mais ou menos) foi tomando conta..e conforme o mapa (e como o Felipe falava muito preocupado para mim: “-ainda nem viramos a primeira página!...”) ainda deveria faltar um bom pedaço!
Andamos quietinhos, encorajando as crianças (e nós mesmos por dentro, “continue a andar, continue a andar...”), falta pouco, falta pouco...passamos pela capelinha finalmente, e infelizmente a descrição da vista lindíssima não foi possível avistar, diante da escuridão...
Depois de 1,5 km, 2 km, vimos lá no fundo do vale, uma luzinha fraca, que deve ser a mesma sensação (ai que exagero, eu sei, mas acho que foi o que me passou pela cabeça naquele momento...) daqueles que estão no deserto e encontram um oásis... fomos literalmente, quase nos arrastando até a entrada da Pousada Barreirinha.
Já nos esperavam, o S.Sebastião e a D. Vanda, preocupados com nosso atraso. Deveria ser cerca de 20:00 hs! Desabamos no sofá, largados, por um tempo... O S. Sebastião se assustou com a nossa carga para três dias de caminhada! Explicamos que grande parte era da tralha para a praia...
Já nos conduziram para os nossos quartos, (a luz de velas), um banho quentinho, de serpentina, gostoooso, aconchegante, nos encaminharam para outra sala ao lado, uma mesa grande com várias cadeiras, lareira acesa, para nos aquecer e jantar! Esplêndido, caseiro, farto, onde fomos à cozinha, com fogão á lenha, pegar a comida da panela mesmo, mais “casa de vó” impossível, com arroz, feijão, salada, frango empanado e mandioca frita! Sempre comento que não sei se era a fome ou o cansaço, mas estava muuuuito bom! Acho que a D.Vanda fez para eles jantarem depois, e temo não ter sobrado muita coisa para eles depois, coitados!
Bom, daí para a cama, não consigo lembrar quando nos “teletransportamos” para a cama...